terça-feira, 10 de março de 2009

Diferenças - Por Eduardo Moura

1. SOMOS DIFERENTES

Definindo indivíduo

Somos mais de 6 bilhões de pessoas no mundo, mas não há uma igual a outra, nem mesmo os gêmeos uni vitelinos (nascidos de mesma placenta) são iguais. Nem mesmos as impressões digitais são iguais de um dedo para o outro, isso mostra a grandeza, a sabedoria e o poder do Deus Criador, ao fazer o ser humano, tudo isso “Ele fez e viu que era bom” Gn 1.

A Vida e as Diferenças

As diferenças existem em nossas vidas, pois somos únicos. Divergimos em várias áreas da vida: no ambiente familiar com os pais, irmãos, esposas, esposos, filhos, na escola, times de futebol, cores, escolha de pessoas, na faculdade, no trabalho, na igreja, ou seja, as diferenças estão em todas as partes, o que precisamos é saber administrá-las, aliás, são justamente essas diferenças que caracteriza nossa individualidade. Somos diferentes, pensamos diferentes, agimos de forma diferente, conforme o dito popular: “Cada cabeça, uma sentença.” Mas Deus nos fez assim e não precisamos abrir mão de nossa individualidade.


2. APRENDENDO A CONVIVER COM AS DIFERENÇAS

Por sermos diferentes, temos muitas dificuldades em aceitar os outros como eles são. Temos a séria tendência de querermos moldar às pessoas ao nosso jeito, à nossa forma de pensar e à nossa forma de agir. Mas Deus não nos quer iguais, por isso Ele nos fez diferentes, o desejo d’Ele é que mesmo que tenhamos diferenças, busquemos os objetivos comuns, que tenhamos ideais comuns.

Precisamos olhar o nosso irmão e vermos que apesar de diferentes, podemos estar juntos (ANDARÃO DOIS JUNTOS SE NÃO ESTIVEREM DE ACORDO?), podemos desfrutar da comunhão em Deus, das experiências no reino de Cristo e creio que verdadeiramente tem sido este o grande desafio da igreja moderna, qual seja, sermos amigos ao invés de sermos simplesmente irmãos! Que desafio Deus tem colocado para nós irmãos!!! Aceitar o nosso próximo como ele foi criado, aprendermos a ouví-lo, aceitá-lo na concordância e na discordância, enfim, recebermos o nosso irmão como ele é, do jeitinho que Deus o criou. Quando a igreja perceber como um todo que as nossas diferenças podem nos levar muito mais longe do que pensamos, certamente alcançaremos aquilo que Deus tem proposto para nós!!!

– SOMOS UM SÓ CORPO, MAS DIFERENTES MEMBROS

Pertencemos ao Corpo de Cristo, isto é, temos um só pai, um só senhor, uma só fé, um só espírito, porém, somos diferentes membros, cada um com a sua função dentro do reino, com sua tarefa, missão, vocação e chamado. Cada membro tem a sua funcionalidade e a sua importância dentro do corpo. Quando o apóstolo coloca a igreja como um corpo, ele quer dizer que os seus membros, exercem cada um a sua função para o bom ajustamento e crescimento deste corpo.

Cristo nos mostra o caminho da obediência através do exemplo do corpo, sujeitando-nos sempre às suas ordenanças como cabeça. Quão tem sido difícil hoje em nossas igrejas, ministrar sobre questões como submissão e obediência, pois estamos vivendo num tempo em que cada um procura fazer a sua própria vontade, buscando seus próprios interesses, mas não podemos esquecer nunca que no corpo de Cristo, prevalece sempre é a vontade do cabeça e não dos seus membros.


2.2 MEMBROS DIFERENTES, QUEM É MAIS IMPORTANTE?

Num corpo humano existem os olhos, os ouvidos, a boca, braços, pernas e etc., todos os membros, apesar de diferentes, nenhum é melhor ou mais importante que o outro. Quem já teve a oportunidade de imobilizar um braço, uma perna, vedar um dos olhos ou até mesmo perdeu um dos seus membros, seja ele total ou parcial, pode dizer o quanto esse membro fez ou faz falta. Pois bem, é justamente essa visão que Deus iluminou a Paulo para transmitir suas verdades nesta passagem. Que um membro, por menor importância que ele tenha na visão humana, ele faz muita falta no corpo, e a sua ausência é sentida de uma forma muito forte no corpo, pois assim, acarretará uma sobrecarga nos outros. Esta é a verdade do reino de Deus, que como membros, todos nós somos muito importantes, e que precisamos entender que se um membro sofre, todo o corpo sofre junto, assim também o cabeça. Cristo quer que cresçamos num corpo saudável, sentindo um a necessidade do outro, chorando uns com os outros, nos alegrando uns com os outros, isso se chama unidade!


2.3 AS DIFERENÇAS NOS MINISTÉRIOS, MAS COM OBJETIVOS COMUNS

Paulo fala em Ef 4.11 que Deus chamou.....

Percebemos nesta passagem que cada pessoa vai exercer dentro do corpo, isto é, da igreja, um ministério e uma atividade diferente. E aí voltamos à questão do corpo. Quem quer ser a unha? Os cílios? O dedinho do pé? Talvez a grande maioria das pessoas não queira ser um desses membros, por que não aparece muito, não fica em evidência e não ocupa posição de destaque. Quem tem prazer em limpar os bancos ou as cadeiras da igreja? Lavar um banheiro? Varrer o salão? Por outro lado, existem aquelas pessoas que utilizam uma pseudo-humildade e dizem: “Ah...estou fazendo isso aqui mas não preciso que ninguém me veja!! O Pai lá em cima está me vendo!!” Hipocrisia!, Na verdade ela gostaria que alguém a visse trabalhando e que fosse contar a alguém... Ou gostaria de estar lá frente fazendo algo de destaque. Porém, precisamos entender que tudo aquilo que fazemos, não estamos fazendo para nós, mas para Deus!!! Que Ele é quem te recompensa!!!É ele quem sabe a real motivação do teu coração! Portanto querido, seja qual for o teu chamado, se para limpar banco ou para pregar, que você sempre faça para a glória de Deus, pois como está escrito: “A glória é de Deus e Ele não dá a outrem.”

3 - DIFICULDADE EM ACEITAR AS DIFERENÇAS

Por que temos tantas dificuldades em aceitar as diferenças? Essa é uma pergunta que não quer calar! Como dissemos anteriormente, queremos muitas vezes moldar as pessoas aos nossos pensamentos. Queremos ser aceitos do jeito que somos, mas, muitas vezes, não estamos dispostos a aceitar as pessoas como elas são. Certa vez fui abordado por um irmão na entrada da igreja que me perguntou o porquê de eu não ser igual a um outro pastor? Disse a ele que somos diferentes, temos as nossas particularidades e que ele precisava aceitar-me como sou, que eu jamais seria igual ao outro. Talvez, o tenha entristecido, pois certamente ele gostaria que eu dissesse que procuraria ser igual. Mas isso não faz parte da nossa natureza, pois somos únicos, mas, são com essas diferenças que Deus nos usa no reino para o crescimento da igreja. A dificuldade em aceitar as diferenças nos remete ao texto de Lucas 17 quando um filho que pede a herança de seu pai para gastar de forma dissoluta, volta sem nada, completamente arrasado pela vida e pedindo seu perdão a seu pai e o que acontece?
a) Recebe roupas novas;
b) Calçado novo;
c) Anel no dedo;
d) Recebe uma festa;

Como conseqüência das atitudes do pai, seu irmão fica completamente transtornado e vai cobrar do pai uma explicação. Suas palavras expressam um sentimento frustração, inveja e revolta, porque seu irmão não era igual a ele, obediente, zeloso com os bens da família. Ele teve dificuldades em aceitar as diferenças, porque o amor às coisas era maior do que o amor pelas pessoas. Para ele, mais importante do que ter o seu irmão de volta, era a preocupação com os bens. Que lição tremenda esse texto trás pra nós. Aceitar as diferenças é amar as pessoas, coloca-las acima de qualquer outra coisa, é na verdade receber o coração de Deus e dar oportunidades. A quem você tem dado maior valor? Às coisas ou às pessoas? Pense nisso!!!

3.1 (INTOLERANCIA) A CAUSA DOS GRANDES CONFLITOS DA HISTÓRIA

Este ponto é fundamental para entendermos que não saber lidar com as diferenças pode nos trazer conseqüências sérias e terríveis. Quando olhamos para os povos do oriente médio, por exemplo, vemos que tudo isso que acontece hoje começou pelas diferenças entre duas mães Sarah e Agar, prosseguiu com dois irmãos, Isaque e Ismael, e se perpetua ao longo da história entre dois povos, árabes e judeus. É claro que existem princípios espirituais nisso tudo, porém, hoje, o maior problema enfrentado por esses dois povos e outros também é que, por não aceitar as diferenças são levados à intolerância, desenvolvendo sentimentos de ódio, causando muitas mortes, inclusive de pessoas inocentes.

A grande verdade é que muitos conflitos são oriundos de motivações religiosas, logo a religiosidade que deveria ser um elo de ligação entre os homens, tem sido objeto de destruição de povos, extermínios de pessoas, tudo em nome, pasme, de Deus. Mas como Deus vê isso? Certamente com muita tristeza, pois com a intolerância estamos descumprindo os mandamentos dado por Ele que é “amar a Deus sobre todas as coisas” e “amar o nosso próximo”. Pois quando amamos a Deus, pensamos e somos movidos pelos sentimentos d’Ele, que são o amor, perdão, tolerância e desta forma, enxergando no ser humano a sua importância para Deus e o amor divino para com ele, estaremos cumprindo o segundo mandamento citado.

3.2 COMO DEUS PODE USAR AS NOSSAS DIFERENÇAS NO REINO?

Como somos chamados ao reino com ministérios e vocações diferentes, precisamos buscar em Deus direção para nossas vidas, visando somar aquilo que temos de diferente e aplicarmos em prol dos objetivos comuns do reino. Temos por aí uma grande quantidade de igrejas divididas, onde cada líder puxa para um lado, ministérios divididos, pastores divididos, líderes de departamentos divididos, grupos divididos. Queridos, se Cristo afirmou que o seu maior desejo é que alcancemos a unidade, não podemos estar num lugar em que cada um puxa para um lado. Precisamos caminhar numa mesma direção, de modo que se você for atingido, eu também estarei sendo, por que somos um, afirmou Jesus. Deus pode e quer utilizar a igreja para influenciar essa sociedade perdida, mas para que isso aconteça precisamos da unidade e esse conceito não é para que anulemos as nossas diferenças, mas que possamos alcançar, com elas, os nossos objetivos que são comuns. Afinal, todos nós queremos ver um país melhor, uma cidade melhor, um bairro melhor. Para isso, precisamos trabalhar de forma que Cristo apareça e nós diminuamos, só assim, sem colocar os nossos interesses acima dos interesses de Jesus é que conseguiremos criar uma sociedade mais justa, mais fraterna e em conseqüência disso, veremos as pessoas se voltando para Deus, para que se cumpra o que está relatado em João: “Para que o mundo creia que Tu nos enviaste..” Precisamos ser um como o Filho e o Pai são um. O mundo só verá Cristo nos cristãos, quando eles forem um!!! Que Deus te abençoe em nome de Jesus.

Nenhum comentário:

Postar um comentário