quinta-feira, 9 de abril de 2009

Páscoa: Tempo de Celebração!!!

Páscoa: Tempo de Celebração - Por Eduardo Moura

Estamos na denominada “Semana Santa”. Aliás, atualmente a quinta-feira também tem se tornado “santa” em virtude de não só a igreja romana estabelecer, mas também de órgãos públicos e alguns estabelecimentos estarem dando a presença facultativa ao trabalho. Domingo é considerado “de Páscoa”, tempo de distribuição ovos de páscoa e bombons. Chocolate!! Mas o que a Páscoa tem a ver com chocolates? E o que o ovo tem a ver com a Páscoa? Porque as pessoas se absteem de comer carne? Qual é o verdadeiro significado da Páscoa?

Fixada no Concílio de Nicéia, em 325, pela igreja romana, a semana santa foi instituída e inicia-se no Domingo de Ramos e termina no Domingo da Ressurreição, tendo entre eles, a Sexta-Feira da Paixão e o Sábado de Aleluia. É sugerido por alguns historiadores que muitos dos atuais símbolos ligados à Páscoa (especialmente os ovos de chocolate, ovos coloridos e o coelhinho da Páscoa) são resquícios culturais da festividade de primavera em honra de Eostre que, depois, foram assimilados às celebrações cristãs do Pessach, depois da cristianização dos pagãos germânicos. Contudo, já os persas, romanos, judeus e armênios tinham o hábito de oferecer e receber ovos coloridos por esta época. Ishtar tinha alguns rituais de caráter sexual, uma vez que era a deusa da fertilidade, outros rituais tinham a ver com libações e outras ofertas corporais. O hábito de dar ovos de verdade vem da tradição pagã. Eles celebravam Ostera, a deusa da primavera, simbolizada por uma mulher que segurava um ovo em sua mão e observava um coelho, representante da fertilidade, pulando alegremente ao redor de seus pés. Os cristãos se apropriaram da imagem do ovo para festejar a Páscoa, que celebra a ressurreição de Jesus - o Concílio de Nicéia, realizado em 325, estabeleceu o culto à data. Na época, pintavam os ovos (geralmente de galinha, gansa ou codorna) com imagens de figuras religiosas, como o próprio Jesus e sua mãe, Maria.

Embora respeite muito a religião católica, discordo de grande parte de seus ensinamentos, e o que vemos acima é um completo desvio e distanciamento da idéia original da Páscoa estabelecida por Deus para o seu povo, além do que nos é imposto também pela cultura da sociedade. Vejamos o que diz o livro do Êxodo, capítulo 12.1-11:

“E falou o SENHOR a Moisés e a Arão na terra do Egito, dizendo: Este mesmo mês vos será o princípio dos meses; este vos será o primeiro dos meses do ano. Falai a toda a congregação de Israel, dizendo: Aos dez deste mês tome cada um para si um cordeiro, segundo as casas dos pais, um cordeiro para cada família. Mas se a família for pequena para um cordeiro, então tome um só com seu vizinho perto de sua casa, conforme o número das almas; cada um conforme ao seu comer, fareis a conta conforme ao cordeiro. O cordeiro, ou cabrito, será sem mácula, um macho de um ano, o qual tomareis das ovelhas ou das cabras. E o guardareis até ao décimo quarto dia deste mês, e todo o ajuntamento da congregação de Israel o sacrificará à tarde. E tomarão do sangue, e pô-lo-ão em ambas as ombreiras, e na verga da porta, nas casas em que o comerem. E naquela noite comerão a carne assada no fogo, com pães ázimos; com ervas amargosas a comerão. Não comereis dele cru, nem cozido em água, senão assado no fogo, a sua cabeça com os seus pés e com a sua fressura. E nada dele deixareis até amanhã; mas o que dele ficar até amanhã, queimareis no fogo. Assim pois o comereis: Os vossos lombos cingidos, os vossos sapatos nos pés, e o vosso cajado na mão; e o comereis apressadamente; esta é a páscoa (Pessach) do SENHOR. “

A Páscoa significa celebração, a comemoração, a passagem (Pessach), a libertação do povo hebreu das mãos dos egípcios. Em linhas gerais, a páscoa foi uma instituição divina para lembrar a seu povo o milagre da vida, da libertação, do escape, a perspectiva de futuro dada pelo próprio Deus a seu povo, como um estabelecimento de MEMORIAL no Antigo Testamento. Era a retomada do destino à Terra Prometida de Canaã. Entenda:

Após mais de 400 anos de escravidão no Egito, Deus prometera livrar seu povo através de Moisés, seu servo, das mãos de Faraó. E assim o fez! O que simbolizavam os seus elementos? .

O Cordeiro – Era o animal a ser oferecido em sacrifício, deveria ser perfeito, sem qualquer defeito;
O Sangue – Era o sinal da proteção, da guarda do Altíssimo;
Os Pães – Eram ázimos, ou seja, sem fermento, para representar a ausência de mistura;
As Ervas Amargosas – Representava todo o sentimento do povo em relação a escravidão egípcia;
Egito – Nação dominadora e opressora.

Já no Novo Testamento, esta mesma páscoa também tem o significado de LIBERTAÇÃO, não mais uma escravidão de um único povo, não mais a escravidão imposta por uma nação, não mais uma escravidão física, mas figura a escravidão de todos os povos, agora quem escraviza é o pecado e a escravidão era espiritual, o Egito representa o mundo, o sistema e porque não dizer o pecado!!. Diz as Escrituras Sagradas: “Porque todos pecaram e distanciados estão da Glória de Deus”. “O salário do pecado é a morte”. Havia não só a escravidão, mas também uma sentença de morte e de separação eterna da criatura de seu Criador!!! Mas o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo se manifestou, trazendo a libertação a todos os homens! Jesus Cristo é esse cordeiro, que foi morto, para que hoje eu e você celebrássemos essa libertação. Daí a simbologia, a semelhança, o cumprimento da páscoa vétero-testamentária! Vamos analisar a aplicação dos elementos:

O Cordeiro – Cristo, que semelhante ao oferecido no AT, também era sem mácula, sem mancha, sem defeito, SEM PECADO!
O Sangue – Representa o sinal de remissão, da proteção da guarda do pecado;
Os Pães – Representam a ausência de mistura, mistura com o sistema mundano;
As Ervas Amargosas – Representam todo o dissabor, toda a amargura vivida no mundo por aqueles que um dia experimentaram ou experimentarem a libertação trazida pelo Cordeiro de Deus, Jesus Cristo;
Egito – Representa o mundo, o sistema, o pecado.


Celebrar a páscoa é muito mais do que abster-se de comer carne, a abstinência tem que ser de praticar pecados (Amados, peço-vos, como a peregrinos e forasteiros, que vos abstenhais das concupiscências carnais que combatem contra a alma – I Pedro 2.10), nada tem a ver com chocolates, muito menos ovos. Olhando para as figuras pascoais, o que mais me encanta não é somente o “ritual”, os símbolos, mas para o que apontam. Como disse acima, a libertação, a páscoa era a retomada para a promessa dada por Deus ao seu povo, a Terra Prometida, a Canaã. E deveria ser comida assim: lombos cingidos, os vossos sapatos nos pés, e o vosso cajado na mão; e o comereis apressadamente. A Páscoa neo-testamentária também representa isso. A libertação nos faz caminha em direção à Terra Prometida, não a Canaã terrena, mas a Canaã Celestial. Lombos cingidos, dá idéia de revestimento, Paulo nos orienta a nos revestir da “armadura de Deus e nos vestir da verdade” (Ef 6.14), os sapatos nos pés dá a idéia de preparação, firmeza, o mesmo apóstolo nos orienta a ser firmes e constantes, o cajado na mão aponta para apoio, base, condução, nos serve também como removedor de obstáculos, pode ser representado pela Palavra de Deus que é a base de nossa fé, nosso guia, aquela que através de sua eficácia remove os obstáculos de nossa vida nos trazendo o consolo e o comer apressadamente nos dá a idéia de transitoriedade, temporalidade, e é essa a nossa real situação, nós não temos esse mundo por cidade permanente, estamos buscando a cidade futura (Hb 13.4), a Canaã Celestial, preparada pelo Eterno antes da fundação do mundo!

Portanto, meu querido, celebre, jubile, o Cordeiro de Deus foi sacrificado por você! O Seu sangue te trouxe a remissão e a proteção, você, embora esteja neste mundo, não pertence a ele, você é um forasteiro, um peregrino rumo à Terra Prometida, prove e veja o quanto o Senhor é bom e deixe a amargura do mundo de lado! Aleluia!!! Bendito é o Cordeiro de Deus, Jesus, o nosso Cordeiro Pascoal!!!

2 comentários:

  1. Verdadeiramente, Jesus nos deu a liberdade!
    Jesus é o cordeiro que foi sacrificado por nós, por amor! Aleluia! Bendito seja o Coedeiro!

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  2. Muito bom! É muito oportuno lembrar da eternidade para qual a verdadeira páscoa nos aponta no tempo imediatista e consumista em que vivemos! "Porque o Reino de Deus não consiste no comer e no beber, mas na justiça, na paz, e na alegria no Espírito Santo" (Rm 14.17)

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