sábado, 18 de abril de 2009

Usuários, Estado, SuperVia, Seguranças e o Profeta João Batista Por Eduardo Moura

Esta semana acompanhamos os noticiários de mídia escrita, falada e televisada relatando as atitudes dos funcionários de uma companhia que administra os trens urbanos no Rio de Janeiro em relação aos usuários que tentavam embarcar em um dos trens na estação de Madureira.

Funcionários da SuperVia agridem passageiros que embarcavam na estação de Madureira” O Globo de 15/04/2009

Mas, o que revelam as atitudes destes funcionários que foram contratados para auxiliarem o embarque dos passageiros? Tais atitudes funcionais nos levam a imaginar inúmeras situações, tais como: Insatisfação, revolta, despreparo, incapacidade para o exercício das funções, certeza de impunidade, ato costumeiro, covardia e outros que você mesmo poderia pontuar.

Que os usuários deste meio de transporte passam constantemente por dificuldades, isso diariamente fica evidente. Composições lotadas, horários desregulados, serviço precário, riscos constantes de acidentes por falta de manutenção e até risco de morte em virtude da localização de determinadas situações. Porém, não poderemos deixar de citar o mau comportamento por parte de alguns dos usuários que persistem em viver na desordem, na falta de respeito e na falta de educação com os seus semelhantes.

Voltando às atitudes dos empregados, o que fica mais cristalino para mim é que o tratamento dado por eles aos usuários é apenas uma continuidade das atitudes que seus patrões teem em relação àqueles que se utilizam dos serviços da empresa. Em suma, é o reflexo, é o espelho, é a evidência das atitudes que vem de cima!! A referência deles é o desrespeito e maus tratos aos passageiros. Não quero aqui fazer a defesa destes homens, até porque não sou advogado, mas eles também são vítimas, aliás, isso ficou muito claro, pois, perderam seus empregos e como chefes de família ficarão marcados e encontrarão sérias dificuldades em que novas portas se abram. São vítimas do destrato por parte do comando da empresa, possuem como referência, pessoas que pouco se importam com os SERES HUMANOS que ali viajam, veem o descaso e a conivência do poder público constituído que não toma providências para que tais situações não ocorram, ficando inertes, somente tirando proveito das funções públicas que exercem, buscando somente os seus próprios interesses, deixando de lado os interesses daqueles que os elegeram e cuja função principal é o bem-estar social. Certa vez, João Batista foi interrogado sobre sua pregação. Por causa de sua forma contundente de falar, não fazia distinção de posição social quando o assunto era a repreensão e a pregação do Evangelho. Poderosos e humildes ouviam a mesma pregação. Lucas, capítulo 3 fica bem evidente isso:
3 E percorreu toda a terra ao redor do Jordão, pregando o batismo de arrependimento, para o perdão dos pecados;
4 Segundo o que está escrito no livro das palavras do profeta Isaías, que diz: Voz do que clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor; Endireitai as suas veredas.
5 Todo o vale se encherá, E se abaixará todo o monte e outeiro; E o que é tortuoso se endireitará, E os caminhos escabrosos se aplanarão;
6 E toda a carne verá a salvação de Deus.
7 Dizia, pois, João à multidão que saía para ser batizada por ele: Raça de víboras, quem vos ensinou a fugir da ira que está para vir?
8 Produzi, pois, frutos dignos de arrependimento, e não comeceis a dizer em vós mesmos: Temos Abraão por pai; porque eu vos digo que até destas pedras pode Deus suscitar filhos a Abraão.
9 E também já está posto o machado à raiz das árvores; toda a árvore, pois, que não dá bom fruto, corta-se e lança-se no fogo.
10 E a multidão o interrogava, dizendo: Que faremos, pois?
11 E, respondendo ele, disse-lhes: Quem tiver duas túnicas, reparta com o que não tem, e quem tiver alimentos, faça da mesma maneira.
12 E chegaram também uns publicanos, para serem batizados, e disseram-lhe: Mestre, que devemos fazer?
13 E ele lhes disse: Não peçais mais do que o que vos está ordenado.
14 E uns soldados o interrogaram também, dizendo: E nós que faremos? E ele lhes disse: A ninguém trateis mal nem defraudeis, e contentai-vos com o vosso soldo.

Que ligação possui esse texto bíblico com a situação que estamos tratando? Que tipo de aplicação podemos fazer? Que verdades podemos extrair em relação aos fatos ocorridos?

Quero me ater nos versos 10 e os seguintes, os quais divido, represento e faço analogia, usando as orientações e repreensões de João aos personagens citados no texto bíblico acima, que são, os publicanos que classifico como Poder Público, a multidão, representada pela Supervia, os soldados, que comparo aos seguranças e também, porque não dizer aos ouvintes que comparo aos usuários. Tais verdades podem ser aplicadas da seguinte forma:

Aos Usuários (ouvintes): “Produzi, pois, frutos dignos de arrependimento!” e “E também já está posto o machado à raiz das árvores; toda a árvore, pois, que não dá bom fruto, corta-se e lança-se no fogo.” Bom comportamento, respeito, civilidade e responsabilidade é o mínimo que devemos ter com o nosso próximo, com as instituições e com as autoridades!! Caso contrário, estaremos sujeitos às sanções legais e até as humanas.

À Empresa (multidão): “Quem tiver duas túnicas, reparta com o que não tem, e quem tiver alimentos, faça da mesma maneira.” Respeito aos usuários, melhores condições de viagem, treinamento e respeito aos seus funcionários são situações que devem ser esperadas por uma empresa que presta serviços e que é paga para isso!

Ao Estado (publicanos) : "Não peçais mais do que o que vos está ordenado." O mínimo que se pode exigir é a prestação de um serviço de qualidade, que seja imparcial e que favoreça àqueles que contribuem para a sua existência e a de seus representantes, com atitudes sérias, sem covardia e sem omissão!!

Aos Funcionários (soldados): "A ninguém trateis mal, nem defraudeis, e contentai-vos com o vosso soldo." O mínimo que se pode exigir de um empregado é que cumpra as sua funções com responsabilidade, serenidade, seriedade, não deixando de lado a compreensão e principalmente o amor ao próximo. Respeito é bom e todos nós gostamos!! Se acham que ganham mal, estudem e procurem algo melhor!

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Páscoa: Tempo de Celebração!!!

Páscoa: Tempo de Celebração - Por Eduardo Moura

Estamos na denominada “Semana Santa”. Aliás, atualmente a quinta-feira também tem se tornado “santa” em virtude de não só a igreja romana estabelecer, mas também de órgãos públicos e alguns estabelecimentos estarem dando a presença facultativa ao trabalho. Domingo é considerado “de Páscoa”, tempo de distribuição ovos de páscoa e bombons. Chocolate!! Mas o que a Páscoa tem a ver com chocolates? E o que o ovo tem a ver com a Páscoa? Porque as pessoas se absteem de comer carne? Qual é o verdadeiro significado da Páscoa?

Fixada no Concílio de Nicéia, em 325, pela igreja romana, a semana santa foi instituída e inicia-se no Domingo de Ramos e termina no Domingo da Ressurreição, tendo entre eles, a Sexta-Feira da Paixão e o Sábado de Aleluia. É sugerido por alguns historiadores que muitos dos atuais símbolos ligados à Páscoa (especialmente os ovos de chocolate, ovos coloridos e o coelhinho da Páscoa) são resquícios culturais da festividade de primavera em honra de Eostre que, depois, foram assimilados às celebrações cristãs do Pessach, depois da cristianização dos pagãos germânicos. Contudo, já os persas, romanos, judeus e armênios tinham o hábito de oferecer e receber ovos coloridos por esta época. Ishtar tinha alguns rituais de caráter sexual, uma vez que era a deusa da fertilidade, outros rituais tinham a ver com libações e outras ofertas corporais. O hábito de dar ovos de verdade vem da tradição pagã. Eles celebravam Ostera, a deusa da primavera, simbolizada por uma mulher que segurava um ovo em sua mão e observava um coelho, representante da fertilidade, pulando alegremente ao redor de seus pés. Os cristãos se apropriaram da imagem do ovo para festejar a Páscoa, que celebra a ressurreição de Jesus - o Concílio de Nicéia, realizado em 325, estabeleceu o culto à data. Na época, pintavam os ovos (geralmente de galinha, gansa ou codorna) com imagens de figuras religiosas, como o próprio Jesus e sua mãe, Maria.

Embora respeite muito a religião católica, discordo de grande parte de seus ensinamentos, e o que vemos acima é um completo desvio e distanciamento da idéia original da Páscoa estabelecida por Deus para o seu povo, além do que nos é imposto também pela cultura da sociedade. Vejamos o que diz o livro do Êxodo, capítulo 12.1-11:

“E falou o SENHOR a Moisés e a Arão na terra do Egito, dizendo: Este mesmo mês vos será o princípio dos meses; este vos será o primeiro dos meses do ano. Falai a toda a congregação de Israel, dizendo: Aos dez deste mês tome cada um para si um cordeiro, segundo as casas dos pais, um cordeiro para cada família. Mas se a família for pequena para um cordeiro, então tome um só com seu vizinho perto de sua casa, conforme o número das almas; cada um conforme ao seu comer, fareis a conta conforme ao cordeiro. O cordeiro, ou cabrito, será sem mácula, um macho de um ano, o qual tomareis das ovelhas ou das cabras. E o guardareis até ao décimo quarto dia deste mês, e todo o ajuntamento da congregação de Israel o sacrificará à tarde. E tomarão do sangue, e pô-lo-ão em ambas as ombreiras, e na verga da porta, nas casas em que o comerem. E naquela noite comerão a carne assada no fogo, com pães ázimos; com ervas amargosas a comerão. Não comereis dele cru, nem cozido em água, senão assado no fogo, a sua cabeça com os seus pés e com a sua fressura. E nada dele deixareis até amanhã; mas o que dele ficar até amanhã, queimareis no fogo. Assim pois o comereis: Os vossos lombos cingidos, os vossos sapatos nos pés, e o vosso cajado na mão; e o comereis apressadamente; esta é a páscoa (Pessach) do SENHOR. “

A Páscoa significa celebração, a comemoração, a passagem (Pessach), a libertação do povo hebreu das mãos dos egípcios. Em linhas gerais, a páscoa foi uma instituição divina para lembrar a seu povo o milagre da vida, da libertação, do escape, a perspectiva de futuro dada pelo próprio Deus a seu povo, como um estabelecimento de MEMORIAL no Antigo Testamento. Era a retomada do destino à Terra Prometida de Canaã. Entenda:

Após mais de 400 anos de escravidão no Egito, Deus prometera livrar seu povo através de Moisés, seu servo, das mãos de Faraó. E assim o fez! O que simbolizavam os seus elementos? .

O Cordeiro – Era o animal a ser oferecido em sacrifício, deveria ser perfeito, sem qualquer defeito;
O Sangue – Era o sinal da proteção, da guarda do Altíssimo;
Os Pães – Eram ázimos, ou seja, sem fermento, para representar a ausência de mistura;
As Ervas Amargosas – Representava todo o sentimento do povo em relação a escravidão egípcia;
Egito – Nação dominadora e opressora.

Já no Novo Testamento, esta mesma páscoa também tem o significado de LIBERTAÇÃO, não mais uma escravidão de um único povo, não mais a escravidão imposta por uma nação, não mais uma escravidão física, mas figura a escravidão de todos os povos, agora quem escraviza é o pecado e a escravidão era espiritual, o Egito representa o mundo, o sistema e porque não dizer o pecado!!. Diz as Escrituras Sagradas: “Porque todos pecaram e distanciados estão da Glória de Deus”. “O salário do pecado é a morte”. Havia não só a escravidão, mas também uma sentença de morte e de separação eterna da criatura de seu Criador!!! Mas o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo se manifestou, trazendo a libertação a todos os homens! Jesus Cristo é esse cordeiro, que foi morto, para que hoje eu e você celebrássemos essa libertação. Daí a simbologia, a semelhança, o cumprimento da páscoa vétero-testamentária! Vamos analisar a aplicação dos elementos:

O Cordeiro – Cristo, que semelhante ao oferecido no AT, também era sem mácula, sem mancha, sem defeito, SEM PECADO!
O Sangue – Representa o sinal de remissão, da proteção da guarda do pecado;
Os Pães – Representam a ausência de mistura, mistura com o sistema mundano;
As Ervas Amargosas – Representam todo o dissabor, toda a amargura vivida no mundo por aqueles que um dia experimentaram ou experimentarem a libertação trazida pelo Cordeiro de Deus, Jesus Cristo;
Egito – Representa o mundo, o sistema, o pecado.


Celebrar a páscoa é muito mais do que abster-se de comer carne, a abstinência tem que ser de praticar pecados (Amados, peço-vos, como a peregrinos e forasteiros, que vos abstenhais das concupiscências carnais que combatem contra a alma – I Pedro 2.10), nada tem a ver com chocolates, muito menos ovos. Olhando para as figuras pascoais, o que mais me encanta não é somente o “ritual”, os símbolos, mas para o que apontam. Como disse acima, a libertação, a páscoa era a retomada para a promessa dada por Deus ao seu povo, a Terra Prometida, a Canaã. E deveria ser comida assim: lombos cingidos, os vossos sapatos nos pés, e o vosso cajado na mão; e o comereis apressadamente. A Páscoa neo-testamentária também representa isso. A libertação nos faz caminha em direção à Terra Prometida, não a Canaã terrena, mas a Canaã Celestial. Lombos cingidos, dá idéia de revestimento, Paulo nos orienta a nos revestir da “armadura de Deus e nos vestir da verdade” (Ef 6.14), os sapatos nos pés dá a idéia de preparação, firmeza, o mesmo apóstolo nos orienta a ser firmes e constantes, o cajado na mão aponta para apoio, base, condução, nos serve também como removedor de obstáculos, pode ser representado pela Palavra de Deus que é a base de nossa fé, nosso guia, aquela que através de sua eficácia remove os obstáculos de nossa vida nos trazendo o consolo e o comer apressadamente nos dá a idéia de transitoriedade, temporalidade, e é essa a nossa real situação, nós não temos esse mundo por cidade permanente, estamos buscando a cidade futura (Hb 13.4), a Canaã Celestial, preparada pelo Eterno antes da fundação do mundo!

Portanto, meu querido, celebre, jubile, o Cordeiro de Deus foi sacrificado por você! O Seu sangue te trouxe a remissão e a proteção, você, embora esteja neste mundo, não pertence a ele, você é um forasteiro, um peregrino rumo à Terra Prometida, prove e veja o quanto o Senhor é bom e deixe a amargura do mundo de lado! Aleluia!!! Bendito é o Cordeiro de Deus, Jesus, o nosso Cordeiro Pascoal!!!